Atriz Noticias

Em SP, Sandy Divulga o Filme Quando Eu Era Vivo

Antonio Fagundes, Sandy e Marat Descartes, protagonistas de “Quando eu era vivo”, participaram de uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (27), em São Paulo, para divulgar o filme. Dirigido por Marco Dutra (“Trabalhar cansa”) e produzido pela RT Features, o longa é baseado no livro “A arte de produzir efeito sem causa”, de Lourenço Mutarelli.

Ele estreou na Mostra de Cinema de Tiradentes e chega ao circuito comercial nesta sexta (31). Também estavam presentes na coletiva os atores Tuna Dwek, Gilda Nomacce, Kiko Bertholini, Helena Albergaria, o produtor Rodrigo Teixeira e a roteirista Gabriela Amaral Almeida. O suspense acompanha o personagem Júnior (Marat Descartes), que, após um divórcio traumático, busca abrigo na casa do pai, Sênior (Antonio Fagundes), com quem mantinha uma relação distante. Lá, nada lembra o lar em que viveu quando jovem.

O pai se tornou agora um homem estranho, rejuvenescido à base de exercícios físicos e bronzeamento artificial. Os objetos e fotos da mãe, morta alguns anos antes, foram encaixotados e trancados no quartinho dos fundos. No quarto que dividia com o irmão, Pedro, agora vive a inquilina Bruna (Sandy), estudante de música que veio do interior para fazer faculdade.

Após encontrar objetos que remetem ao passado e à sua mãe, Júnior desenvolve uma obsessão pela história de sua família e tenta recuperar algo que aconteceu em sua infância e que, até hoje, o assombra. Durante a coletiva, Marco Dutra comentou que a personagem Bruna não é parecida com a Sandy, apesar da ligação com a música. Já a atriz e cantora afirmou: “Eu acho que tenho algumas coisas em comum com a Bruna, mas personalidades diferentes”. Para Sandy,

Bruna é “muito solitária, vive longe da família, muito nem aí com a vida”.”Ela acaba sendo tragada pela loucura do Júnior e se envolvendo. Ela é bem diferente de mim nisso. É mais jovem do que eu, tive que me concentrar um pouco nisso, para não passar muita maturidade.” explicou Sandy.

Ainda a forma como abordou o texto. “Quando eu li o roteiro, preferi ir pelo ponto de vista do drama psicológico, da loucura, do que pelo caminho do sobrenatural. Depois do filme pronto eu comprei a ideia do sobrenatural. Acho que a música permeia o filme de maneira decisiva. A música tem um papel importante nisso.” A atriz contou que, apesar de seu foco não ser o cinema, mergulhou em sua personagem durante as gravações. “Eu li o livro do Mutarelli e algumas situações me ajudaram a construir as cenas. A preparação foi bem curta. A gente tinha pouco tempo, então nos encontramos três, quatro vezes para exercícios físicos e mentais, leitura, ensaios”, afirmou. “Eu quis entrar para o filme com o mesmo conhecimento sobre ocultismo que a personagem tinha, ou seja, nenhum. Não era algo com o qual ela se relacionava. O papel da Bruna é menor no filme. Ela levanta para os personagens do Marat e do Fagundes, porque o drama é da família”, acrescentou. “Quis ser discreta e entregar o que foi pedido, da melhor maneira possível. Eu trabalho bastante e meu foco é a música, mas, quando filmávamos, tinha pouca coisa acontecendo no meu dia a dia, então mergulhei mesmo naquilo. Quando chegava em casa, meu marido, minha mãe e meu pai falavam que eu estava diferente, meio pensativa e fechada. Apesar do clima ser descontraído no set, querendo ou não você acaba entrando naquele universo sombrio. Chegava em casa meio quieta.”

Marat Descartes, por sua vez, explicou seu interesse pelo papel principal. “Quando o Marco me convidou, eu estava rodando outro longa em Minas e imediatamente enlouqueci pelo personagem. O incrível do Junior é que ele faz uma curva incrível no filme. Ele entra em uma obsessão pelo passado da família e isso se desenvolve até o fim do filme. Foi maravilhoso fazer.” ‘Não é terror’ Antonio Fagundes justificou sua ausência em mais produções cinematográficas – sua última aparição havia sido em “A mulher do meu amigo” (2008). “O problema do cinema, para mim, é a minha agenda. Teatro prende você, mais que qualquer coisa. Fico muito tempo em cartaz, quinta, sexta, sábado e domingo preso”, comparou. “A produção do filme tem que se adequar aos meus horários. Faço muita televisão também.

Cinema exige que fique um mês ali no set. Por mim, faria três, quatro filmes por ano.” Para o ator, “Quando eu era vivo” não se enquadra num único gênero. “Não vejo esse filme como muito de terror. Ele tem alguns símbolos do terror, da possessão, da loucura, do ambiente malévolo. São muitas as citações de filmes de terror. Mas, quando li o livro, fiquei pensando: ‘Como vamos fazer isso?'”. lembrou. “Porque o livro é absolutamente psicológico, se passa na cabeça do pai. E a transposição foi belíssima, porque abriu para mais discussões”, elogiou. “Imagino o filme mais como um grande thriller psicológico. A situação terrível da história é a incomunicabilidade das pessoas daquela família. A comunicação é o gesso.” Ele comentou especificamente a cena em que seu rosto é engessado durante um ritual. “Tenho certa claustrofobia, então inventamos uma técnica. A produção foi muito compreensiva comigo. Tem um truque, que durou um dia todo, mas não vou contar como foi.” Além de autor da obra que inspira o longa, Loureçno Mutarelli faz uma pequena participação no filme, como o motorista. Marco Dutra comentou a adaptação para o cinema. “Mutarelli teve envolvimento crucial, no sentindo de que ele abriu a porta da obra dele e disse ‘entrem’. Ele falou ‘é de vocês’. Quando leu o roteiro final, o terceiro ou quarto tratamento, o comentário dele foi breve e caloroso, ele disse algo como ‘não senti tanta diferença, reconheci meu livro lá’. Ele disse que esse é um dos livros dele que ele mais gosta, então ficamos felizes que ele gostou.”